A Maçonaria é baseada no trabalho. A Ordem se originou no trabalho dos pedreiros operativos e depois passou para o trabalho de construção social. O ideal Maçônico só é possível de ser realizado através do trabalho. Infelizmente o trabalho não é algo natural no homem e precisa existir estímulo, reconhecimento e recompensas para que o homem se dedique ao trabalho
No início, quando o homem se organizava socialmente através de tribos nômades, o trabalho era apenas de subsistência e as atividades dos homens se restringiam basicamente a caça e a guerra com outras tribos. Neste ponto a organização social humana não se diferenciava muito dos outros animais.
Com o desenvolvimento da agricultura, a sociedade humana teve grande evolução. No berço da civilização, que foi o Egito, a agricultura foi desenvolvida nas margens do rio Nilo e o homem começou a observar melhor a natureza para melhorar sua eficiência no trabalho de cultivo agrícola. Foi observado que o rio Nilo tinha um comportamento de enchentes cíclicas que afetavam em muito o cultivo agrícola. Em função disso foi elaborado um calendário que levou este fato em consideração e dividiu o tempo em três estações, que totalizavam um ano: enchente (correspondente aos meses de julho a setembro), semeadura e colheita.
Na estação de enchente, o trabalho se concentrava em canalizar as águas do rio para que fossem alagadas apenas as áreas desejadas e para fazer açudes com reservatórios de águas que seriam depois utilizadas na lavoura. Após as enchentes, na estação de semeadura, eram cultivados o papiro, etc, utilizando as águas dos açudes para irrigação. Finalmente na estação de colheita eram recolhidos os resultados dos trabalhos realizados previamente.
Buscando entender melhor os fatores que afetavam a produtividade do trabalho no campo, foram estudados com maior profundidade os movimentos do sol e das estrelas. Descobriu-se que existiam constelações que se repetiam em determinados períodos do ano e em 2700 anos AC foi criado o zodíaco que até hoje utilizamos, dividindo o ano em 12 constelações de estrelas, associando forças e deuses a cada uma delas.
O sol teve uma importância central na cultura Egípcia, por ser o elemento vital para o trabalho nas plantações e para a geração da vida. A adoração do sol embasou toda a religiosidade Egípcia. Ao seu ciclo diário foi associada a idéia de morte (ao final do dia) e de ressurreição (ao nascer do dia). Daí o trabalho de embalsamento dos corpos humanos após a morte, para que se dispusessem deles na ressurreição.
Observando melhor o movimento das estrelas, chegou-se a constatação de além dos ciclos diários e anuais (movimentos de rotação e translação), existiam certas oscilações na movimentação da terra (devido ao fato dela ser achatada nos pólos) que criavam outro ciclo estimado em 26 mil anos, divididos em 12 períodos do zodíaco, e isto foi tomado como base para descrever a evolução da humanidade em eras. Desta forma, cada era foi associada a um período de pouco mais de 2 mil anos e verificou-se que sua sequência ocorria de forma inversa à do zodíaco.
Assim, simplificadamente, de 4000 a 2000 mil AC tivemos a era do Touro, ligado às questões da terra. De 2000 AC a 0 tivemos a era de Áries, com grandes desenvolvimentos da agricultura e dos metais cobre e ferro. Foi também a época de Moisés e dos bezerros de ouro. De 0 a 2000 DC, tivemos a era de peixes, com o florescimento da fraternidade entre os homens. Foi a época de Jesus Cristo, acompanhado de 12 apóstolos pescadores e que trouxe a boa nova no novo testamento, de que Deus era amor. De 2000 a 4000 DC temos a era de Aquário, com o desenvolvimento espiritual da humanidade e a unificação das religiões. Esta é a base da NOVA ERA, que trará novas relações no trabalho.
Verificamos que estas eras acompanharam e explicaram a forma de evolução da sociedade, desde que não pensemos em períodos estanques, mas em períodos que se entrelaçam. Por outro lado, o trabalho, ou os fatores de produção, determinaram as formas de organizações sociais.
No início, no período nômade, o principal fator de produção era a capacidade de caçar e a força dominava as relações sociais. O trabalho escravo tem sua origem no cativeiro dos povos dominados por outros. Com o desenvolvimento da agricultura, a posse da terra passou a ser o fator estratégico de produção que culminou no período feudal, com os senhores e os vassalos. Após a revolução industrial, o principal fator de produção passou a ser o capital e a organização do mundo foi baseada neste fato. Os países ricos passaram a ditar as regras e os trabalhadores assalariados que ganham apenas o necessário para sua subsistência são os escravos modernos.
O desenvolvimento de uma NOVA ERA de desenvolvimento espiritual e de igualdade entre os homens, dificilmente poderia ocorrer neste contexto de dominação e de desvalorização do trabalho assalariado. O comunismo e o socialismo foram tentativas de superação da virtual escravidão dos operários, dentro do conceito da divisão das riquezas a cada um conforme sua necessidade e não conforme a sua capacidade. Infelizmente, foram utopias que não deram resultados, pois a distribuição igualitária dos resultados desestimulavam os trabalhadores mais produtivos e as economias entravam em estagnação.
Com o desenvolvimento capitalista e o grande acumulo do capital, este deixou de ter a importância estratégica que tinha anteriormente, dando lugar para um novo fator estratégico de produção atualmente que é o conhecimento. A rapidez das inovações e a rápida obsolescência dos produtos produzidos, gerou a necessidade cada vez maior de rápida adaptação do sistema produtivo às inovações, propiciadas pela capacidade intelectual e pelos conhecimentos técnicos.
Neste contexto, uma nova oportunidade de maior igualdade se aproxima, pois a distribuição de competências ou conhecimentos tem uma lógica diferente da distribuição de capital. Na lógica do capital, para alguém receber capital, o mesmo tem que ser tirado de uma outra pessoa. Na lógica do conhecimento, para alguém receber conhecimento, não há necessidade de que ele seja tirado de uma outra pessoa. Nesta utopia, a distribuição maciça de conhecimento possibilitaria que os operários tivessem domínio deste importante fator de produção e fossem adequadamente remunerados pelos seus trabalhos. Nesta época de globalização, o desafio é fazer com que nosso país tenha seu povo desenvolvido e pronto para auferir as vantagens da nova era do conhecimento.
Concluindo, o grande trabalho Maçônico nesta era de conhecimento e lutar para que todos tenham a oportunidade de se capacitarem para esta nova fase da organização do trabalho, dentro do espírito fraternal da Era de Aquário.
Manoel Tavares Santos
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