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O Primeiro e o Segundo Pacto entre Deus e o Homem - Visão Bíblica

O PACTO tem o mesmo significado que ALIANÇA, no sentido de acordo entre duas ou mais partes objetivando a realização de fins comuns. A doutrina do pacto é antiga e amplamente debatida, não abrindo muito espaço para originalidade. A aliança ou pacto simboliza acordo, tratado, contrato, união entre duas partes. Ela é uma exteriorização de algo que se tem no coração, ou seja, é a maneira de materializarmos sentimentos, convicções e fidelidade.

Para entendermos exatamente o que significa um pacto ou uma aliança com Deus em sua essência, é importante verificarmos o que diz a Biblia, pois é nela que se manifesta a necessidade de uma aliança entre Deus e o povo. O elemento comum entre os patriarcas é pacto com Deus, no qual se estabelece o compromisso mútuo, que se ratifica a cada geração, na transmissão de valores existenciais. A aliança, no sentido bíblico, implica em muito mais do que um mero contrato ou acordo. Contratos sempre têm períodos de vigência, enquanto o pacto ou aliança é um acordo permanente.

A Bíblia

A Bíblia é uma coletânea de diversos livros, subdivididos em Antigo e Novo Testamentos. Para a maior parte das igrejas cristãs a Bíblia é a suprema autoridade, constituindo-se na Palavra de Deus. O termo Bíblia tem origem no grego "Biblos" e somente foi usado a partir do ano 200 d.C. pelos cristãos. É um livro singular que, segundo o entendimento, teria sido ditado por Deus aos homens e escrito por diversos Escribas como Sacerdotes, Reis, Profetas e Poetas (2Tm 3.16; 2Pe 1.20,21), num período aproximado de 1.500 anos. Foram mais de 40 pessoas e, além disso, estes textos foram copiados e recopiados de geração para geração em diversos idiomas, tais como Hebraico, Aramaico e Grego, até chegar a nós em textos manuscritos e naturalmente eivados de erros de transcrição.

A Bíblia foi escrita em diversos lugares, porque o povo era nômade. Também foi escrita por diversos autores, dependendo do livro. Alguns livros possuem autores definidos, outros, autores desconhecidos e outros, ainda, são uma espécie de coletânea de diversos textos, provérbios, etc. Para entendermos a Bíblia, temos que ter presente o problema da linguagem. É a cultura que determina o sentido da linguagem e a Bíblia carrega inúmeros culturas. Então, ela precisa ser interpretada e entendida no contexto histórico e cultural, pois uma leitura literal, com um referencial cultural alheio, poderá ferir a mensagem que ela quer veicular.

A procura de sentido do texto bíblico é uma necessidade de perpetuar o Pacto da Memória realizado entre Deus e os homens. O homem de cada tempo recebe o texto bíblico e o Pacto, e interpreta esse Pacto de acordo com os valores do interpretador (homem) e do espírito da época para que esse Pacto se perpetue com sentido através dos tempos para o homem. O texto bíblico em si mesmo não precisa de interpretação, quem procura pelo seu sentido não é o próprio texto bíblico, mas o homem dotado da capacidade de transformar em linguagem aquilo que ele interpreta desse texto. Nem todos os seguidores da Bíblia a interpretam de forma literal, e muitos consideram que os textos da Bíblia são metafóricos ou que são textos datados que faziam sentido no tempo em que foram escritos, mas foram perdendo seu sentido dentro do contexto da atualidade.

A hermenêutica, uma ciência que trata da interpretação dos textos, tem sido utilizada pelos teólogos para se conseguir entender os textos bíblicos. Entre as regras principais desta ciência encontramos. 1.A Bíblia - coleção de livros religiosos - se interpreta por si mesma, revelando toda ela uma doutrina interna; 2.O texto deve ser interpretado no seu contexto e nunca isoladamente; 3.Deve-se buscar a intenção do escritor, e não interpretar a intenção do autor; 4.A análise do idioma original (hebraico, aramaico, grego comum) é importante para se captar o melhor sentido do termo ou as suas possíveis variantes; 5.O intérprete jamais pode esquecer os fatos históricos relacionados com o texto ou contexto, bem como as contribuições dadas pela geografia, geologia, arqueologia, antropologia, cronologia, biologia...

Para o cristianismo tradicional, a Bíblia é a Palavra de Deus, portanto ela é mais do que apenas um bom livro, é a vontade de Deus escrita para a humanidade. Para esses cristãos, nela se encontram, acima de tudo, as respostas para os problemas da humanidade e a base para princípios e normas de moral. Os agnósticos vêem a Bíblia como um livro comum, com importância histórica, que reflete a cultura do povo que os escreveu. Os não crentes recusam qualquer origem Divina para a Bíblia e a consideram como de pouca ou de nenhuma importância na vida moderna, ainda que na generalidade se reconheça a sua importância na formação da civilização ocidental.

A comunidade científica tem defendido a Bíblia como um importante documento histórico, narrado na perspectiva de um povo e na sua fé religiosa. Muito da sua narrativa foi de máxima importância para a investigação e descobertas arqueológicas dos últimos séculos. Mas os dados existentes são permanentemente cruzados com outros documentos contemporâneos, uma vez que a história religiosa do povo de Israel singra em função da soberania de seu povo que se diz o "escolhido" de Deus e, inclusive, manifesta essa atitude nos seus registros.

O Antigo e o Novo Testamento

O pacto ou aliança entre Deus e o homem é o tema central e unificador de toda a Sagrada Escritura, e de tal modo predomina, que temos a divisão da Bíblia nas duas alianças: Antigo Testamento (que se abrevia AT) e Novo Testamento (que se abrevia NT). A aliança vem do grego "diatheke" que é traduzido por PACTO OU TESTAMENTO. Por outro lado, a palavra testamento vem do latim ‘Testamentum’, que é a tradução da palavra hebraica PACTO, ALIANÇA. A figura jurídica do Testamento, como herança, era desconhecida dos antigos hebreus, pois a herança entre eles estava regulada pelo costume e, posteriormente, pela lei (Núm., 27, 8-11), não havendo a hipótese de herdeiros designados pelo testador. A palavra aliança é muito conhecida na Bíblia e aparece quase 300 vezes entre o Antigo Testamento e o Novo Testamento.

Dessa forma, a Bíblia está dividida em duas partes num total de 73 livros: 1) O Antigo Testamento ou Velho Testamento com 46 livros escritos antes de Jesus Cristo (a.C.), contém os textos que se referem à Antiga Aliança que Deus fez, primeiro com Adão, depois com Noé, Abraão e sobretudo com Moisés; e 2) O Novo Testamento com 27 livros escritos depois de Jesus Cristo (d.C.), contém os textos que se referem à Nova e definitiva Aliança, feita por Jesus Cristo.

O Antigo Testamento, ou Velho Testamento, como era chamado no século XVII está dividido em quatro grandes partes: Pentateuco, Históricos,Poéticos e Sapienciais, Proféticos. E só existe nas Bíblias Católica e Protestante. Na Bíblia Hebraica (Bíblia do Povo Judeu) não existe o Novo Testamento, porque esse povo não considera inspirados os livros que o compõem.

Os judeus acreditam que todo o Velho Testamento foi inspirado por Deus e, por isso, constitui não apenas parte da Palavra Divina, mas a própria palavra. Os cristãos, por sua vez, incorporam também a tal entendimento os livros do Novo Testamento. Os ateus e agnósticos possuem concepção inteiramente diferente, descrendo por completo dos ensinamentos religiosos. Tal descrença ocorre face ao entendimento de que existem personagens cuja real existência e/ou atos praticados são por eles considerados fantásticos ou exagerados, tais como os relatos de Adão e Eva, da narrativa da sociedade humana ante-diluviana, da Arca de Noé, o Dilúvio, Jonas engolido por um "grande peixe", etc. Os ateus não crêem na existência de Deus algum, portanto para eles qualquer ensinamento religioso, venha da Bíblia ou do Alcorão é falso, desnecessário e até mesmo prejudicial.

Ao se consultar o Antigo Testamento, são inúmeras as passagens em que Deus se manifesta aos homens, constituindo as diversas Teofanias, ou seja, a aparição, a manifestação de Deus às criaturas. O primeiro pacto feito com o homem era um pacto de obras; nesse pacto foi a vida prometida a Adão e, nele, à sua posteridade, sob a condição de perfeita e pessoal obediência. Tendo-se o homem tornado, pela sua queda, incapaz de ter vida por meio deste pacto, o Senhor dignou-se a fazer um segundo pacto, geralmente chamado o pacto da graça; neste pacto da graça ele livremente oferece aos pecadores a vida e a salvação através de Jesus Cristo, exigindo deles a fé, para que sejam salvos, e prometendo o seu Santo Espírito a todos os que estão ordenados para a vida, a fim de dispô-los e habilitá-los a crer.

O Primeiro Pacto ou Aliança Antiga

As referências que no AT se fazem à aliança estabelecida entre Deus e o seu povo são abundantes, com Abraão, Noé, Moisés, renovações, etc. (Deuteronomio 7:8,9). Neste conceito, Deus serviu-se de intermediários: Noé, Abraão, Moisés, David, com a conclusão de que houve quebra da parte dos israelitas, que se esqueceram do pacto, transgredindo as determinações divinas.

Segundo a bíblia, no decorrer da historia humana Deus fez as seguintes alianças, que podemos classificar em dois grandes grupos - as alianças do Antigo e do Novo Testamento:

Primeiro Grupo:

- Aliança com o homem no seu estado de inocência, também chamada de aliança edênica (Gn 1, 26-28);

- Aliança com o homem após a sua queda, também chamada de aliança adâmica (Gn 3, 14-19);

- Aliança com Noé, aliança noaica (Gn 7, 18-22);

- Aliança com Abraão, aliança abraânica (Gn 12, 1-4; 13, 14-17; 15, 18; 17, 1-2);

- Aliança com Isaac (Gn 17, 19-21; 26, 3-4);

- Aliança com Jacó ( Gn 28, 13-15);

- Aliança com Israel (Gn 6,5; 19, 5-6);

- Aliança com Moisés, aliança mosaica ( Ex 20, 1-17; 21-24);

- Aliança com Davi, aliança Davídica ( 2Sm 7, 1-7);

- Aliança com Salomão ( 1Rs 9, 1-9);

Segundo Grupo:

- Nova aliança selada no Sangue do Cordeiro, Nosso Senhor Jesus Cristo ( Mt 26, 28; Mc 14, 24; Lc 22, 20; Hb 8, 6-13; 9, 1-28).

Cada aliança teve a sua características peculiar. A Aliança com Noé: (Universal) visava criar uma nova humanidade e era simbolizada pelo arco-iris: «Vou estabelecer a minha aliança convosco, com a vossa descendência futura e com os demais seres vivos que vos rodeiam: as aves, os animais domésticos, todos os animais selvagens que estão convosco, todos aqueles que saíram da arca. Estabeleço convosco esta aliança: não mais criatura alguma será exterminada pelas águas do dilúvio e não haverá jamais outro dilúvio para destruir a Terra.»

Na Aliança com Abraão, Deus começa a escolher um povo: Israel.‏  O Senhor concluiu uma aliança com Abraão, dizendo-lhe: «Dou esta terra à tua descendência, desde o rio do Egipto até ao grande rio, o Eufrates. (Gn 15,11-12)‏

Na aliança com Moisés, o objetivo era a libertação dos judeus. Deus se apresenta como um Deus que se compadece da situação de escravidão do povo hebreu. Esta passagem é muito bonita, quando a divindade se apresenta como alguém que se compadece. Mesmo envolvido por tantos problemas que exigiam regras de conduta imediatas e soluções urgentes, Moisés foi capaz de ouvir seu Deus e dar, ao povo que liderava, um código de lei tão profundo que muitos povos acabaram aceitando-o como seu. Este código de leis é conhecido como o “Decálogo” ou “Os Dez Mandamentos”. Deste modo, Moisés mostrou que, além de resolver problemas imediatos, um bom líder tem que pensar a longo prazo, ser capaz de dar respostas que solucionam os problemas e que sejam respostas permanentes, duradouras. Um bom líder age logo e vê longe.

Na aliança com David, Deus dará uma “casa” e descendentes (Salomão e Jesus).

Todas estes envolvimentos culminam na grande profecia de Jer 31:31- 34, que anuncia um novo pacto, não somente exigindo obediência, mas criando aquele poder de amor, cuja lei deve estar escrita no coração. No Velho Testamento, todos os homens que Deus procurou falharam. Por fim, na promessa da nova aliança, Deus transforma o coração do homem. No cumprimento desta profecia nós passamos da antiga para a nova aliança.

O Segundo Pacto ou a Nova Aliança

A morte sacrificial de Jesus serviu como um juramento de Deus para conosco, para selar essa nova aliança. Deus fez uma nova aliança com o Homem enviando Jesus que derramou o Seu sangue sem nunca quebrar o Pacto. Jeremias 31: 31-34

Enquanto o Velho Testamento é a aliança que Deus fez com o homem quanto a sua salvação antes de Cristo vir, o Novo Testamento é o pacto que Deus fez com o homem, quanto a sua salvação depois que Cristo veio. o AT retrata a aliança que Deus fez com seu povo através da Lei e o NT retrata a aliança que Deus fez com pessoas individualmente através de Jesus Cristo. Desse modo, a nova aliança cumpriu o que antiga não pode realizar: a remoção de pecados e a purificação da consciência humana.

A Nova Aliança é entendida como uma unidade de culto e de vida para os que aceitam a Boa Nova, pois é pela participação na eucaristia que se dá a unidade dos cristãos entre si, com Cristo e com a Igreja, sendo também pela comunhão eucarística que se realiza a unidade da Igreja em Cristo, como podemos ver nos Evangelho de João, no livro dos Atos e nos escritos de Paulo: “Mas tenho outras ovelhas que não são deste redil. Devo conduzi-las também; elas ouvirão a minha voz, então haverá um só rebanho e um só pastor” (Jo 10,16; Mt 16,15-16). A Boa Nova da Salvação em Jesus Cristo é universal, sem distinção de raça, cor ou condição e porque, a doutrina de Cristo é para salvar o mundo inteiro e deve ser anunciada a todos os povos: “E esta boa Nova do Reino será proclamada no mundo inteiro” (Mt 24,14; Mc 16,16; Lc 24,47). “Ide, portanto, e fazei que todas as nações se tornem discípulos...” (Mt 29,19).

No NT se destacam os Evangelhos, que tem origem em uma palavra grega que significa ‘boa notícia’. São escritos que nasceram em comunidades cristãs entre 30 e 70 anos depois da morte de Jesus, refletindo seu compromisso de fé. Todos os fatos neles relatados ocorreram depois do nascimento de Jesus Cristo.

Interpretação

A concepção que o ser humano faz de Deus se amplia com o passar do tempo. O homem, nos primórdios da civilização, carente de um pensamento abstrato que lhe possibilitasse uma postura mental reflexiva, e com um desenvolvimento psíquico ainda muito incipiente, mantinha suas percepções tão-somente da realidade física que o cercava.

A grande preocupação do ser humano, não somente na pré-história mas em todas as épocas da história, foi e será sempre o problema do mal. Como entender o sofrimento? A morte? As desgraças? As tragédias? A dominação de uns sobre os outros? Para cada época e cultura existe uma resposta diferente para esta problemática. Nossos ancestrais criaram cultos para afugentarem o mal. Cultos estranhos à nossa cultura, nos quais se ofereciam vítimas aos deuses e, não raro, vítimas humanas. Cultos e ritos para aplacarem a ira dos deuses, ou para afugentarem o mal, o opositor ao bem, à ordem. A palavra Deus tinha, entre os antigos, acepção muito ampla. Não indicava, como presentemente, uma personificação do Senhor da Natureza. Era uma qualificação genérica, que se dava a todo ser existente fora das condições da Humanidade.

Já o povo Hebreu entendia sua relação com Deus a partir do entendimento das Alianças. O Deus dos judeus é alguém próximo, que fala “face a face” com os profetas, que toma a iniciativa, que toma posição, enfim um Deus que se envolve com a história dos homens. Nenhum povo da Idade Antiga valorizou tanto a história como o povo judeu. Isto porque eles entendem que sua história é também a história da sua aliança com seu Deus. Deus aparece, ao lado do povo e de seus líderes, também como um sujeito da história.

Neste contexto, a história, que é o pano de fundo da Bíblia, se desenrola em elos de alianças que o Senhor vem estabelecendo com homens durantes as eras e tempos. Deus estabeleceu alianças com Abel, Noé, Abraão, Jacó, Moisés, Josué, Davi e outros. Uma aliança era um pacto entre um Homem, ou um povo e Deus; neste pacto eram definidos, com base em declarações e ritos, direitos e deveres, onde Deus apresentava o que esperava daqueles com quem estava estabelecendo a Aliança e expunha um conjunto de promessas com as quais Ele Se comprometia a cumprir. Outro elemento imprescindível da cultura e da religião judaica era sua esperança e expectativa messiânica. Havia, naquele povo do Velho Testamento, uma forte certeza e convicção que Deus cumpriria Sua promessa em enviar à Terra o Messias, aquele que iria redimir o Homem ao seu estado de pleno relacionamento com o Eterno: com Deus.

A bilateralidade, no contexto bíblico do pacto entre Deus e homens, implica tão somente em que duas partes estão envolvidas, mas não que exista a igualdade entre essas partes. Teólogos têm chamado esse tipo de aliança "unilateral" de "monergista," ou seja, iniciada e garantida por Deus nos seus termos.

Portanto, a aliança com Deus é uma aliança que não envolve um acordo de duas partes, na qual não existe negociação de direitos e obrigações. Nesse sentido a aliança divino-humana é unilateral. É um compromisso feito pela iniciativa de Deus com relação à sua criação. O ser humano é um receptor da aliança divina. Isso se torna evidente no texto de Gênesis 17.2 ("Farei uma aliança entre mim e ti"). O conceito de pacto, portanto, é um conceito que deve ser entendido dentro dos vários contextos onde aparece

Conclusão

Existem dois tipos de aliança encontrada na bíblia sagrada: A aliança incondicional, as que Deus faz com o homem e que ele assume o cumprimento e a aliança condicional onde cabe ao homem obedecer para que ela venha se cumprir. A nova aliança substitue a antiga que foi quebrada pelos antepassados. Dessa forma, a nova aliança não será como a que foi feita com os nossos pais (Vs 32), a nova aliança será em tudo superior a primeira (Hb 8.7,8) e a nova aliança é pela graça e não por obras (Vs 32; Hb 8.6).

Podemos entender pelo estudo da revelação bíblica que Deus fez somente dois pactos de vida eterna para a humanidade. O primeiro pacto é chamado pela teologia de Pacto das Obras, pois nele o homem teria que fazer algo para conquistar a vida eterna. Esse pacto é nitidamente percebido nas palavras de Gênesis 2:17. A obra que Adão teria que realizar era apenas obedecer à ordem do Senhor. O Pacto das Obras firmado com Adão termina com a trágica desobediência de Adão à Lei de Deus. Em Jesus ele tornou-se o Pacto da Graça (Ef 2:9-10). O Pacto da Graça ainda é aquele antigo pacto de vida eterna firmado com Adão, mas com o seguinte aspecto: nesse pacto todas as bênçãos e recompensas não foram conquistadas pelo homem, tudo nos é concedido de graça. Deus não exige mais nada de nós porque Jesus já cumpriu nossa parte no pacto.

Em outras palavras, esses dois pactos estão "centralizados em torno do primeiro Adão e do segundo Adão, que é Cristo". A teologia esposada é conhecida como teologia pactual ("covenant theology"), um sistema teológico em que o conceito de pacto serve como estrutura básica. Segundo Paul Helm, "de acordo com a teologia pactual, todas as relações de Deus com o homem são pactuais".

Para alguns teólogos, a idéia de qualquer pacto que Deus faça com o homem possa ser outra coisa que não um pacto de graça é errônea, porque qualquer pacto entre Deus e o homem deve ser iniciado e executado por Deus. Assim, ele é um ato da graça bem como da lei; ele requer obras, mas as obras são a resposta de gratidão pela graça da lei, pela graça do pacto de Deus. Neste conceito, os pactos não são diferentes no que concerne à salvação da humanidade, pois todos eles são apenas a renovação do Pacto da Graça de Gn 3:15. O culto e o método de salvação desde os dias de Adão, depois da queda, são essencialmente os mesmos e pertencem ao mesmo pacto que no Novo Testamento chama-se Nova Aliança.

Considerando a renovação do pacto, muitos acreditam que o Antigo Testamento representa uma Velha aliança, que já não estamos obrigados a guardar. Nenhuma das estipulações (leis) do Antigo Testamento são obrigatórias para nós a não ser que sejam renovas na Nova Aliança (Novo Testamento). Ou seja: Se Jesus Cristo ou algum dos apóstolos (escritores do Novo Testamento) não reforçaram uma lei do Antigo Testamento, a igreja cristã não é obrigada a guardar. Exemplo: O Antigo Testamento manda guardar o sábado (Êx 20.8-11). Jesus disse que o homem é mais importante que o sábado (Mc 2.27. Veja também Mt 12). Já Paulo, em Romanos 14, disse que o homem é livre se quiser guardar, mas que faça para o Senhor. Assim, o cristão é livre para guardar ou não o sábado. Se guardar, contudo, não se pode colocar isso como regra de salvação, pois é pela graça que somos salvos, por meio da fé. Não é através das obras (Ef 2.8).

Mas então por que serve o Antigo Testamento? Outros ainda podem não querer mais ler o Antigo e destituí-lo de qualquer valor. Contrariando este pensamento, é importante mencionar o imenso valor do AT, como disse Paulo em 2 Tm 3.16: “Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça”. O Antigo Testamento é primeiramente um registro da maneira como Deus se relacionou com os Israelitas, simbolizado principalmente pelo Pacto estabelecido com Moisés no Monte Sinai. O NT (antecipado no Jeremias 31:31 e instituído por Jesus, 1 Cor. 11:25), descreve a nova base que Deus estabeleceu para se relacionar, não mais com Israel somente, mas com todos os homens, de todas as tribos, línguas e nações, que foi ratificada em Cristo no Calvário.

O fato é que as religiões históricas do Ocidente, mais precisamente o Cristianismo, com suas igrejas diversas, estão tendo uma certa dificuldade em responder aos reais anseios de religiosidade que brotam de multidões, que procuram respostas seguras e que não chegam de nenhuma parte. Existe um clamor surdo pela Transcendência e este clamor é abafado pelo racionalismo cientificista de costas viradas para o mistério, para a mística e do qual até as religiões e igrejas são vítimas. Assim, na Bíblia, ninguém de bom senso deverá buscar respostas para perguntas sobre o início do mundo ou sobre o final do mundo. Na verdade, ela quer responder sobre o sentido da vida e o sentido da existência. Para responder isto, a Bíblia usa símbolos, mitos, histórias, poemas, provérbios, orações, cânticos, etc., que muitas vezes não são entendidos corretamente.

Podemos afirmar que a fuga para o mundo das drogas é uma busca de transcendência em lugares errados; é a busca desesperada de um transcendência perdida. Nietsche já dizia no começo do século: “Deus está morto”. É neste universo da morte de Deus que podemos elencar como seus substitutos, os ídolos como: a pornografia, o consumismo desenfreado, a ânsia compulsiva de comprar coisas e mais coisas que nunca satisfazem, os esportes radicais, os “modismos” que são programados de acordo com a vontade dos empresários de vendas, que tiram proveito deste momento de crise humana, tudo isto é uma “religiosidade” doente, mal trabalhada, distorcida, alienada da sua verdadeira essência.

Esta realidade nos deve remeter a duas grandes reflexões: o papel das igrejas históricas como instrumentos para dar conta da religiosidade e dos significados das alianças de Deus com os homens, e a identidade da filosofia moderna e contemporânea e de Ordens como a Maconaria, calcadas basicamente no racionalismo.

 

Visões Bíblicas coletadas por Manoel Tavares Santos

 

BIBLIOGRAFIA

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Fonte Bíblica - http://www.revistamirabilia.com/Numeros/Num3/artigos/art4.htm

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